Começar pelo mais simples que funcione
Uma nota de leitura sobre «Building effective agents», da Anthropic: workflows e agentes não são a mesma coisa, e quase sempre o primeiro chega.
Hélder Gonçalves1 min de leitura
Entre os textos práticos sobre sistemas com modelos de linguagem, «Building effective agents», publicado pela Anthropic em dezembro de 2024, é dos que mais vale a pena ler devagar. Não vende uma promessa. Põe ordem nas palavras.
Duas coisas diferentes com o mesmo nome
A distinção central é esta. Num workflow, o caminho está escrito em código: o modelo é chamado em passos previstos, e quem decide o que vem a seguir é o programa. Num agente, o modelo decide o caminho, escolhe as ferramentas e continua até achar que acabou.
Parecem variações do mesmo tema, mas comportam-se de maneiras muito diferentes: o workflow é previsível e barato de testar; o agente é flexível, mas custa mais, demora mais e erra de formas mais difíceis de antecipar.
Os padrões, em curto
O texto descreve alguns padrões de workflow que cobrem muito terreno: encadear prompts, com uma verificação pelo meio; encaminhar cada pedido para o tratamento certo; paralelizar partes independentes; um orquestrador que reparte trabalho por outros; e um ciclo em que um modelo avalia e melhora o resultado de outro.
O conselho que fica
A recomendação com que mais concordo é a menos espetacular: procurar a solução mais simples possível, e só acrescentar complexidade quando for preciso. Muitas vezes uma só chamada bem pensada, com bom contexto, já resolve. Um agente justifica-se quando o problema é aberto, quando não se consegue prever os passos de antemão, e quando se pode confiar, dentro de limites, no julgamento do modelo.
É o mesmo instinto de qualquer bom ofício: a ferramenta mais sofisticada não é a melhor, é a que o problema pede. E convém medir, para saber se a complexidade a mais está de facto a render.